Menopausa precoce: causas, sinais e como lidar com esse diagnóstico
A menopausa é um processo natural na vida da mulher que costuma ocorrer por volta dos 45 a 55 anos de idade. No entanto, quando esse evento acontece antes dos 40 anos, recebe o nome de menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura. Embora não seja tão comum, estima-se que cerca de 1% das mulheres sejam afetadas por essa condição.
Além de impactar a fertilidade, a menopausa precoce pode trazer repercussões importantes para a saúde física e emocional da mulher. Neste artigo, vamos explicar o que é a menopausa precoce, suas causas, sintomas, formas de diagnóstico e estratégias para lidar com ela.
O que é a menopausa precoce?
A menopausa precoce acontece quando os ovários deixam de funcionar antes do esperado, interrompendo a produção de hormônios como estrogênio e progesterona. Isso resulta na ausência da menstruação (amenorreia) por 12 meses consecutivos antes dos 40 anos.
É importante diferenciar menopausa precoce de irregularidades menstruais temporárias, que podem ser causadas por estresse, dietas restritivas ou problemas hormonais transitórios. No caso da menopausa precoce, a falha ovariana é irreversível.
Principais causas da menopausa precoce
A condição pode ter várias origens, e em alguns casos, a causa nunca é identificada. Entre os fatores mais comuns estão:/
1. Genética
Mulheres que têm histórico familiar de menopausa precoce apresentam maior risco. Alterações genéticas, como a síndrome de Turner ou fragilidade no cromossomo X, também podem estar envolvidas.
2. Doenças autoimunes
Algumas doenças em que o sistema imunológico ataca os próprios tecidos podem afetar os ovários, como:
- Tireoidite de Hashimoto
- Doença de Addison
- Lúpus eritematoso sistêmico
3. Tratamentos médicos

Terapias que danificam os ovários podem antecipar a menopausa:
- Quimioterapia e radioterapia (principalmente em câncer pélvico ou abdominal).
- Cirurgias ginecológicas, como a retirada dos ovários (ooforectomia).
4. Infecções e fatores ambientais
Infecções como caxumba, toxinas ambientais, tabagismo e exposição a determinados agentes químicos também podem estar associados ao desenvolvimento da insuficiência ovariana prematura.
Sinais e sintomas da menopausa precoce
Os sintomas da menopausa precoce são semelhantes aos da menopausa natural, mas podem se manifestar de forma mais intensa devido à interrupção brusca da produção hormonal.
Sintomas físicos mais comuns:
- Ondas de calor e suor noturno
- Ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação
- Secura vaginal e dor durante a relação sexual
- Diminuição da libido
- Insônia e fadiga
- Dores de cabeça e desconforto articular
Sintomas emocionais e cognitivos:
- Mudanças de humor e irritabilidade
- Ansiedade e depressão
- Dificuldade de concentração e memória
Além dos sintomas imediatos, a falta precoce de estrogênio aumenta o risco de osteoporose, doenças cardiovasculares e declínio cognitivo.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da menopausa precoce é realizado por meio de uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais.
Principais exames utilizados:
- Dosagem de hormônio folículo-estimulante (FSH): níveis elevados indicam falência ovariana.
- Dosagem de estrogênio (estradiol): níveis baixos confirmam a deficiência hormonal.
- Exames de imagem (ultrassom transvaginal): para avaliar os ovários.
- Exames genéticos e imunológicos: quando há suspeita de doenças hereditárias ou autoimunes.
É fundamental excluir outras possíveis causas de ausência menstrual antes de confirmar o diagnóstico.
Impactos na fertilidade
A menopausa precoce é uma das principais causas de infertilidade em mulheres jovens. Em muitos casos, os ovários não produzem mais óvulos viáveis, tornando a gestação natural praticamente impossível.
No entanto, existem alternativas de tratamento para mulheres que desejam engravidar:
- Fertilização in vitro (FIV) com óvulos doados
- Preservação de óvulos (para mulheres que precisam passar por tratamentos oncológicos, por exemplo)
- Adoção, quando a gestação não é possível ou não é desejada
Tratamentos e formas de lidar com a menopausa precoce
Embora não exista cura para a insuficiência ovariana prematura, há formas de amenizar os sintomas e reduzir os riscos de doenças relacionadas à falta de estrogênio.
1. Terapia hormonal (TH)
A terapia de reposição hormonal com estrogênio e progesterona pode ajudar a aliviar os sintomas e proteger ossos e coração. Deve ser prescrita por um médico, considerando os riscos e benefícios para cada paciente.
2. Mudanças no estilo de vida
- Praticar atividade física regularmente
- Adotar uma alimentação rica em cálcio, vitamina D e antioxidantes
- Evitar cigarro e excesso de álcool
- Praticar técnicas de relaxamento para lidar com o estresse
3. Acompanhamento psicológico
O impacto emocional da menopausa precoce pode ser grande, especialmente em mulheres que sonham com a maternidade. A terapia psicológica ou grupos de apoio são importantes para o bem-estar mental.
4. Atenção à saúde óssea e cardiovascular
- Realizar exames periódicos de densitometria óssea
- Monitorar colesterol e pressão arterial
- Usar suplementos quando necessário, sob orientação médica
Prevenção: é possível evitar a menopausa precoce?
Na maioria dos casos, a menopausa precoce não pode ser evitada, especialmente quando relacionada a fatores genéticos ou autoimunes. Porém, alguns hábitos podem ajudar a preservar a saúde reprodutiva e reduzir os riscos:
- Evitar o tabagismo
- Manter um estilo de vida saudável
- Realizar consultas ginecológicas regulares
- Considerar a preservação de óvulos em casos de necessidade de tratamentos agressivos (como quimioterapia)

Conclusão
A menopausa precoce é uma condição desafiadora que impacta não apenas a fertilidade, mas também a saúde física e emocional da mulher. Reconhecer os sinais e buscar diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento adequado e adotar estratégias que melhorem a qualidade de vida.
Com acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e suporte emocional, é possível lidar com os sintomas e reduzir os riscos de complicações. E, embora a infertilidade seja um dos maiores medos associados à menopausa precoce, hoje existem alternativas médicas que permitem realizar o sonho da maternidade.
